Sensorial
Esta é uma visão alternativa do desejo.
O que pensar quando vemos um deficiente visual na rua?
A minha primeira sensação foi de pena.
Os achava diferente dos ditos “pessoas normais”, e não tinha a mínima
noção de respeito por eles; tal e qual, mesmo com a minha ignorância,
compartilhei da amizade de um deficiente visual (cego) que me mostrou um lado
bem sensorial.
B.
O primeiro passo: a aceitação.
Não era de hoje que B. me convidava a ir ao cinema. Nunca entendia o por
que dele fazer isso, sendo cego, achava que não apreciava a sétima arte. Mas
por fim, e com muita insistência e não ter mais nenhuma desculpa para dar,
fomos.
Filme de ação, cheio de tiros e vamos,
vamos, vamos.
Seguiu-se assim o filme, e eu com a desconcertante mania de achar que B.
não entendia o que se passava. Ótimo! Muito educado como era, não me repreendeu
uma única vez e deu a impressão de sentir interesse pela minha simples
narrativa do que se passava na tela.
Jantar simples, com uma conversa guiada aos fatos de amigos, novela,
política e lá pelas tantas, sexo. Achei estranho ele começar a comentar sobre
isso, imaginava que não tivesse vida sexual ativa, ou mesmo que tivesse com
algumas que quisessem fazer uma caridade.
B. não era feio. Poderia dizer que é um homem charmoso. E considerando
que meu gosto por homens é terrível foi até uma surpresa quando aceitei ir a
sua casa para ouvir uns CD´s.
Típico convite para um sexo casual.
Se eu considerasse em fazer sexo com B. O que achava improvável.
Quando chegamos em sua casa fiquei com um pouco temerosa, achando que
ele morasse com mais alguém, principalmente se fosse com a mãe dele. Mas fiquei
surpresa quando descobri que morava sozinho. E realmente fomos ouvir CD´s.
B. me explicou como era as funcionalidades de sua vida. As dificuldades
tambem e sem perceber estávamos entrando num clima de compreensão e afinidades.
Continuávamos a ouvir Cd´s, com risadas provocadas ora por mim ora por ele e
que por final, estávamos beijando-nos no sofá.
Posso ser sincera em que foi o beijo mais provocante que tive. Não por
apresentar qualquer característica a parte, mas sim por ser simples e muito
explorador. Senti a língua de B. percorrer cada milímetro de minha boca, como
se desenhasse para lembrar; o roce dela em cada dente, o sugar dos lábios, o
suspiro suave a cada movimento, o movimento de sua mão deslizando de minha
orelha, sobrancelhas, olhos, nariz e o contorno dos lábios.
Você sabe o que é beijar um cara de óculos escuros, sabendo que ele é
cego? É estranho, mas ao mesmo tempo excitante.
B. não era ¨alvoroçado¨; era de uma paciência infinita, ao qual deixava
saborear também.
As brincadeiras: Fizemos um teste de sensibilidade.
B. levanta-se enquanto fico com os lábios em forma de biquinho, ansiosa
por mais. Ele seguia para um dos cômodos, pedindo que o esperasse... Achei que
ele queria organizar o quarto para irmos logo para o final. Mas não, voltou com
um lenço nas mãos e pedindo desculpas por ter se ausentado da carícia do beijo.
Eu não tinha do que reclamar, estava aproveitando ao máximo todas as situações
até agora vividas.
Voltou a sentar-se ao meu lado e fez-me um pedido.
- Se você permitir,eu gostaria
que ficasse de lingerie e que me deixasse vendar seus olhos.
- Olha o que vai fazer B.!! – disse em tom de brincadeira.
- Nada demais. Somente quero que aproveite o que pretendo fazer. Se não
gostar, peça para parar e assim o farei.
- Mas tem que ser de lingerie?!
- Sim, para ficar mais emocionante. Não vou tirar a minha roupa, eu
garanto.
Movida pela curiosidade, fiz o que ele me pediu. Tirei a roupa e deixei
que ele me pusesse a venda nos olhos. Ele segura em minha mão e pede para
seguí-lo.
Quando se confia demais nos sentidos fica difícil tomar coragem de outro
te guiar; minha vontade era levantar o lenço e fingir que o seguia as cegas.
Mas não seria justo com a brincadeira. E entre passos curtos e batidas em
alguns móveis, chegamos ao destino.
Quando sentei, senti um veludo sob minha pele. Não sabia que cor era,
mas não importava. Era tão bom, que deslizei cada vez mais para o centro e espreguicei-me
para senti-lo por todo o meu corpo. Escutei o som de um zíper abrindo e achava
que B. estava tirando a roupa; fui logo recriminando-o dizendo que não cumpria
com a palavra, mas ele fica ao meu lado e leva a minha mão ao seu corpo para
comprovar como ainda estava vestido.
- Relaxe. Desfrute.
Relaxar. Desfrutar. Quase que impossível, tentando adivinhar o que se
passaria a seguir. Bem, tinha certa ideia, mas não a certeza.
B. voltou a me beijar. Ainda daquele modo delicado. Com a carícia dos
dedos seguindo o ritmo dos beijos. Um suspiro sobre os lábios molhados,
esperando mais um beijo e nenhum som, ou somente os sons de nossas respirações.
Ele seguiu o beijo para mais baixo, sobre o pescoço que se abria e erguia dando
passagem livre. O coração começava a pulsar mais rápido, a pele acostumando-se
aquela carícia, arrepiando a cada novo suspiro, a cada novo sopro.
A lingerie ainda continuava em seu local.
B. desliza a ponta dos dedos sobre a borda, fazendo o contorno sem
realmente tirar.
Inicialmente era deliciosa a sensação do tato em descoberta da pele, mas
começou a se tornar uma tortura, quando a esta mesma pele ficou super sensível
a este tato. Quando mesmo sem tocar já sentia a presença dos dedos ou lábios em
qualquer local.
Não sei o que me fez levantar o corpo em direção a esta carícia, mas aos
meus ouvidos somente escutava pequenos gemidos de insatisfação, sempre querendo
que continuasse e que terminasse logo com aquela tortura.
Os bicos dos seios estavam rígidos de tanta excitação, mas somente um
simples beijo por cima do sutiã e eu já estava a ponto de mandá-lo ir ao
inferno se continuasse com aquilo. Queria tirar a roupa dele, fazê-lo sentir
também aquela tortura, mas não deixava, segurando uma de minhas mãos. Parecia
que tinha mãos demais. Os beijos continuavam pelo resto do corpo; pensei
escutar que ele cheirava, e estava sim, cheirando meu sexo, apreciando o odor e
por fim passar a língua por cima, ou melhor dizendo, colocando a ponta da língua
onde realmente eu estava ansiando, mas ainda por cima da calcinha.
Eu queria tirar o restante de minha roupa; ficar nua para que ele
terminasse; para que ele enfiasse qualquer coisa (dedos, pênis, consolo) em meu
sexo para acalmar minha agonia.
Como se lendo meus pensamentos. Seus dedos fazem o declive para dentro
de meu sexo, a calcinha se fazia de barreira, e ele queria que existisse essa
barreira, pois fazia o roçar mais grave em meu clitóris, mas não precisava
tanto, eu estava mais do que excitada, poderia dizer que bem molhada, erguendo
o quadril diante daquela mão e pedindo a B. que me fodesse.
Ele ria.
- B. por favor.
- Sinta como estou. – pegando a minha mão e levando em direção ao seu
pênis que estava rígido e pronto, mas que ainda estava enclausurado nas roupas
dele. Eu sabia que tinha que despi-lo, mas não sabia como, quis levantar a
minha venda, mas como se soubesse que ia fazer aquilo, segurou a minha mão,
pedindo para não quebrar o encanto.
Por ventura acatei a ordem. E fui recompensada por uma pena.
Ele tirou minha lingerie e deslizou a pena sobre mim, circulando os
altos bicos dos seios, definindo a linha de minha cintura, acariciando minhas
coxas.
Não suportei tanta ternura numa carícia. Levantei de sopetão e o joguei
de costas, beijei-o com voracidade, tirando o seu suéter aos puxões, lhe
mordendo o lábio inferior. Deslizei minhas mãos sobre seu peito, frágil e com pouca
pelugem; os dedões a circular o centro do bico, a mordiscar o outro e ouvi-lo
dizer que vá devagar. Abrir a calça com uma rapidez instantânea e verificar com
precisão manual o tamanho do pênis ao qual brincaria por fim.
Ele ainda ria de mim, quando minha pequena mão adentrava a cueca
procurando o pênis. Duro. Decididamente excitado para que me torturasse tanto.
Mesmo antes de colocá-lo livre já sentia o cheiro forte de semêm, no qual já
dava para sentir o gosto.
Interessante ver como os sentidos trabalham em conjunto quando não
concentra em apenas um ou dois.
Os meus dedos pareciam ter olhos, para perceber o tamanho real daquele
que seria meu brinquedinho. Ouvia com mais clareza a sua respiração e seus
ofegos, segurando-se em não gozar tão rapidamente. Senti a necessidade de
provar tal sabor que meu nariz teimava em contestar, mas ao passar a língua
sobre a glande, ficou provada a minha contestação e realmente, o sabor era mais
espetacular. Parecia que meu paladar tinha agudaço cem vezes mais.
- Delicioso!
As palavras saíram descaradas.
B. me jogou para trás e me penetrou, rápido, forte, enquanto segurava
meus pulsos e não me deixava fugir. Não tínhamos mais os beijos delicados, nem
os sopros lascivos, era somente ele entrando e saindo, impondo força, roçando e
fazendo-me subir com ele. O quadril alto, esperando somente pela satisfação. A
dele veio. Senti a explosão dentro de meu sexo, mas a minha teve uma ajudinha
de sua sensibilidade.
Mesmo suado e ofegando, sentiu que eu não havia o acompanhado. Continuou
dentro de mim e torturou aquele ponto vulnerável feminino. Agora não se tratava
de um simples roçar, era um aperto com um deslize de unha, com dentes a
mordiscar os mamilos e que deu voltas em meus sentidos, misturando-os todos.
Quando ele chupou meu seio, o êxtase veio.
B. diz que sentiu tanto na língua, como no pênis.
Não o duvido, pois até para mim foi difícil de acreditar que tenha voado
tão alto a ponto de tremer.
Não quis retirar o lenço de meus olhos. Esperei ele retirar para
agradecer.
Obrigada B.

